Wednesday, February 10, 2010

Paredes do futuro, uma cidade eco-inteligente?

Emerald City, cidade (fictícia) mais sustentável do mundo, construída pela CNN


Os projectos para a nova Paredes estão em discussão no blogue LX Sustentável (blogue sobre a sustentabilidade em Lisboa). Não comento, visto que não estou por dentro do processo. Mas aqui ficam os links. Que nos sirvam de plataforma de informação e reflexão.

1. Será Paredes uma cidade eco-inteligente em 2013?
2. Ainda o projecto de Paredes: perguntas interessantes.
3. Ainda o post sobre a cidade eco-inteligente de Paredes.

Isto é um debate. A gerência deste blogue agradece a quem partilhe mais informação sobre este assunto.

Monday, January 11, 2010

Aparências, desabafo e uma novidade

Também sei ser vaidoso, quando se justifica. Mas ser originário do concelho com maior número de cidades ou do concelho que terá o maior mastro e bandeira nacional (mais milhão menos milhão) do país não é uma coisa que me orgulhe particularmente.
Pior: diz muito sobre o tipo de pensamento dos que governam a localidade – a aparência em vez do conteúdo. Um carvalho seco, mas de pé. Paredes muito grossas, mas de esferovite. E um eleitorado hipnotizado, há anos, há anos!, por qualquer promessa vaga que não consigo enxergar.

Facto pessoal relevante e irrelevante para o leitor: fiz contrato de habitação em Lisboa, vou fazer cartão único em Lisboa, deixo de votar em Paredes. E sabem uma coisa, pessoal da Parada de Todeia? A minha nova Junta de Freguesia também veste CDU.

Sunday, November 8, 2009

O Verdadeiro Olhar: onde está a diversidade?


Tornei-me assinante da publicação semanal "O Verdadeiro Olhar", que se debruça sobre temas relacionados com os concelhos de Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel. Mentiria se afirmasse estar totalmente desiludido com o investimento. Não é assim.

O jornal é, na generalidade, bem escrito (uma obra-prima jornalística se o comparássemos com o estilo, a estratégia e os conteúdos do conterrâneo "O Progresso de Paredes"), abarca um bom leque de temas de inquestionável interesse público, tem um grafismo apelativo, uma paginação bem conseguida e até na presença on-line se destaca pelos melhores motivos. E há ainda espaço, no interior do jornal, para uma secção humorística, que - melhor ou pior conseguida - sempre dá um colorido (ou um cinzento) à realidade quotidiana da região.

É, por essas e outras razões, uma publicação que valoriza a comunidade em que se insere e isso merece ser digno de respeito.

Mas (e há sempre um mas) - como sempre diz o povo - não há rosas sem espinhos. E o maior espinho d'O Verdadeiro Olhar tem o nome de uma secção: opinião. São quatro páginas - o que estatisticamente até seria notável - que apresentam um clamoroso tom alaranjado e um excessivo enquadramento conservador.

Concretizo. Tomemos como exemplo a 124ª edição, datada de 30 de Outubro: José Luís Costa, Paços de Ferreira, PSD; José Henriques Soares, Paredes, PSD; Carlos Nunes, Lousada, PSD e Nélson Correia, Penafiel, PS (mas atenção, um texto que nos fala da "divisão interna" da concelhia socialista). Somatório: 3 PSD, 1 (ou meio?) PS e zero para todos os restantes partidos, credos, posições e visões independentes nascidas no seio da sociedade civil.

Mas há mais: Maria João Fonseca, ex-Deputada da Assembleia da República (eleita pelo PSD, pois claro!) escreve-nos sobre as polémicas afirmações de Saramago e termina o texto com esta obra-prima: «Se escreve bem? Não tenho conhecimentos suficientes para avaliar a qualidade da escrita de um escritor que coloca a pontuação onde e como lhe apetece, construindo frases que colidem com as regras gramaticais que nos foram ensinadas nos bancos da escola». Ora, meus senhores, este um comentário absolutamente inqualificável.

Há ainda o Pe. Feliciano Garcês - é padre: faz o seu trabalho. E, por fim, o delírio da semana vem em editoral, e assinado pelo próprio director do jornal, Francisco Coelho da Rocha, que decidiu partilhar as suas inquietações sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ainda por cima com recurso abusivo e descontextualizado a uma citação de Eça de Queiroz. Ele - Francisco, não Eça! - diz-nos então o seguinte:

«Só não consigo perceber porque é que os mesmos que reclamam igualdade não a praticam»
. Vai concretizar? Vai sim: «Já se questionou sobre a dificuldade que um criador de moda tem em se afirmar caso não seja gay? [Como??] Já percebeu o quanto é difícil crescer no mundo da arte sem se submeter ao lóbi gay? [Ai sim? Então porquê?] Se a comunidade gay quer falar de igualdade e de direitos, tem de abrir o debate aos direitos dos heterossexuais. Dos nossos direitos. Ou eu também tenho que ser prejudicado por assumir publicamente que gosto de uma mulher?» [Ora, o Sr. Francisco ainda me há-de explicar em que o prejudica o facto de outras pessoas adquirirem o direito ao casamento perante a lei...].

Provocações à parte, o jornal, os leitores do mesmo (que lhe depositam confiança através do valor da assinatura) só teriam a ganhar com um leque de opiniões mais heterogéneo. Mais: exigia-se que assim fosse, para bem da liberdade de opinião e dos valores democráticos. Todos temos consciência do valor da nossa opinião individual, mas fata-nos muitas vezes humildade para perceber que, de modo algum, ela deve servir para silenciar as que dela divergem. Sobretudo num jornal que se promove como livre e independente.


Página web d'O Verdadeiro Olhar

Monday, October 19, 2009

Eleições Autárquicas 2009 em Paredes: Crónica de um suicídio anunciado

A frio - que muito tempo já passou sobre as ironias do sufrágio -, cru e duro, o resultado: um vencedor, quatro derrotados.
Dois deles (BE e CDU), esforçados e, mesmo com poucos meios, mostraram muita entrega e honestidade na arte de os estruturar. Virtude que ainda assim não foi suficiente para que a CDU, conduzida por José Calçada, pudesse chegar aos 4% do eleitorado (salvam-se a manutenção de Cristiano Ribeiro na Assembleia Municipal, facto que aponto como a grande vitória da democracia nestas eleições, e o sucesso na corrida para a Junta de Freguesia de Parada de Todeia), ou para que o BE se aproximasse sequer dos 2%. Albano Esteves Martins fez o suficiente para que os números pudessem ser a triplicar, mas foi impotente perante o vendaval laranja que continua em marcha.

Outro (dos derrotados), foi discreto por via do misterioso apagão que se operou sobre a sua identidade local nos últimos anos. É o CDS, que (imagine-se!) já geriu os destinos da Câmara durante cinco mandatos pós-liberdade, e se afunda numa postura sem grande chama nem ambição - campanha de sede fechada - e numa presença cada vez mais arqueológica. Saldo para Manuel Ruão: zero Juntas de freguesia, uns míseros 8,69% de votos para a Câmara e a natural perda de um membro na Assembleia Municipal.

O outro, PS de seu nome, conduzido por um atarantado Artur Penedos, especializou-se durante a campanha em sessões de tiros nos pés. O fantasma de Sócrates, a intrigante ausência de programa até ao último dia de campanha e a fuga ao debate público sobre a educação são exemplo insuspeito de uma campanha suicida, que usou a arma (teoricamente) anti-socrateana (perdoem-me o termo) do “bota-abaixismo” em vez de apresentar um verdadeiro fórum de ideias que se constituísse como alternativa. Violência e arrogância por arrogância, que lá fiquem os mesmos, que conhecem os cantos à casa e se protegem atrás do terrível chavão da “obra feita” (pudera! Os outros não tiveram oportunidade de lá estar para a fazer). Síntese: por muito que um povo estivesse preparado para a mudança, que não estava, não teriam sido convincentes os sinais do PS.

E assim foi: vitória de Celso Ferreira e do PSD em toda a linha. Começou pela competência do uso dos meios (nas redes sociais e no website, por exemplo, foi assombrosa quando comparada com o desleixo do PS) e acabou com a arrogância da facilidade com que ganha nas urnas paredenses. E até houve um balde de água fria chamado Rebordosa, e três pedras no sapato chamadas Beire, Besteiros e Madalena) mas nada que impedisse os milhares de laranjinhas saírem às ruas para festejar mais um massacre eleitoral. Eu sei que sim, o PSD cresceu e todos tropeçaram. Mas… por isso mesmo, aquelas estavam a festejar o quê? A crescente tentação e reforço de tiques autoritários em personalidades que já nos mostraram, em tantos e tantos episódios, a sua tendência para o autismo político? O aprofundamento de um ciclo laranja sem fim à vista? A demissão democrática de um município da tarefa de vigiar quem nos governa?

Em Paredes, há mais fanáticos pelo PSD do que pelo FCP. E quando a política se transforma num irracional e vazio jogo de forças do ego, meros exercícios de um orgulho clubístico, arrasta-nos a todos para um poço sem fundo. Perante este cenário, não há ninguém que em seu pleno juízo se atreva a entrar na discussão. A discussão pura e simplesmente não existe.
É dessa mudança de postura que gostaria de falar, não me faltassem as forças. Ainda conseguimos ver a luz, não nos enterremos mais, por favor.

Friday, October 9, 2009

Todos os resultados das Autáquicas em Paredes

Cinco vitórias para o CDS, quatro para o PSD (que caminha agora sem grandes obstáculos para o seu quinto mandato). Para quando uma viragem à esquerda? Para quando uma candidatura que o justifique?
Sem grandes análises - cada um que pegue na calculadora e faça as suas contas - aqui ficam os números. Todas os resultados das Eleições Autárquicas em Paredes. Que, no mínimo, sejam úteis para este período de reflexão que - aleluia! - agora começa.

Melhores resultados de sempre dos "três grandes" nas Autárquicas:
PSD: 61,90% (2001)
CDS: 45,78% (1985)
PS: 30,54% (2005)

Piores resultados de sempre dos "três grandes" nas Autárquicas:
PSD: 20,74% (1982)
CDS: 6,84% (2001)
PS: 18,56% (1989)

Resultados das Eleições anteriores (09/10/2005):
PPD/PSD: 23850 ( 51,08%) 5
P S: 14258 ( 30,54%) 3
CDS-PP: 4033 ( 8,64%) 1
PCP-PEV: 2041 ( 4,37%) 0
B.E.: 905 ( 1,94%) 0

Histórico de todas as eleições autáquicas:

12/12/1976

CDS: 7348 ( 32,51%) 3
PS: 6649 ( 29,42%) 2
PPD/PSD: 5890 ( 26,06%) 2
FEPU: 1478 ( 6,54%) 0
GDUPs: 360 ( 1,59%) 0

16/12/1979
CDS: 11842 ( 41,38%) 4
PPD/PSD: 8628 ( 30,15%) 2
PS: 5455 ( 19,06%) 1
APU: 2048 ( 7,16%) 0

12/12/1982
CDS: 13561 ( 43,93%) 4
PS: 7815 ( 25,32%) 2
PPD/PSD: 6403 ( 20,74%) 1
APU: 2157 ( 6,99%) 0

15/12/1985
CDS: 14926 ( 45,78%) 4
PPD/PSD: 8790 ( 26,96%) 2
PS: 6348 ( 19,47%) 1
APU: 1716 ( 5,26%) 0

17/12/1989
CDS: 14287 ( 40,16%) 4
PPD/PSD: 11873 ( 33,37%) 3
PS: 6603 ( 18,56%) 2
PCP/PEV: 1081 ( 3,04%) 0
PRD: 666 ( 1,87%) 0

12/12/1993
PPD/PSD: 16041 ( 38,31%) 4
CDS-PP: 14806 ( 35,36%) 3
PS: 8868 ( 21,18%) 2
PCP/PEV: 1151 ( 2,75%) 0

14/12/1997
PPD/PSD: 24979 ( 56,32%) 6
PS: 11667 ( 26,31%) 2
CDS-PP: 5113 ( 11,53%) 1
PCP/PEV: 1450 ( 3,27%) 0

16/12/2001
PPD/PSD: 27216 ( 61,90%) 7
PS: 10804 ( 24,57%) 2
CDS-PP: 3007 ( 6,84%) 0
PCP-PEV: 1682 ( 3,83%) 0


Fonte: Comissão Nacional de Eleições

Wednesday, October 7, 2009

Um pouco estranho...

O tabuleiro jornalístico parece estar com uma inclinação para os lados de Paredes. Três notícias PS e um inimigo do actual presidente da câmara a contar como ele é ruim. Tudo na mesma capa, a poucos dias das eleições.
Também não gosto do homem, mas o jornalismo devia primar por ser outra coisa que não isto.
E é a minha memória que me atraiçoa ou não era do outro lado do tabuleiro que se costumava resolver o jogo de xadrez?


Eu quando escrevi o post pela primeira vez, não sabia. Mas aqui está a explicação: Candidatura de assessor de Sócrates compra dois jornais

Capa do Jornal O Progresso de Paredes

Thursday, October 1, 2009

Tomo Dois: Autáquicas 2009 | As sondagens


Isto, a confirmar-se, é um resultado deprimente. Noutro post, quando já tiver alguns leitores, explicarei os porquês. Hum... será mesmo necessário explicar?

Fonte: Jornal o Verdadeiro Olhar