
Dois deles (BE e CDU), esforçados e, mesmo com poucos meios, mostraram muita entrega e honestidade na arte de os estruturar. Virtude que ainda assim não foi suficiente para que a CDU, conduzida por José Calçada, pudesse chegar aos 4% do eleitorado (salvam-se a manutenção de Cristiano Ribeiro na Assembleia Municipal, facto que aponto como a grande vitória da democracia nestas eleições, e o sucesso na corrida para a Junta de Freguesia de Parada de Todeia), ou para que o BE se aproximasse sequer dos 2%. Albano Esteves Martins fez o suficiente para que os números pudessem ser a triplicar, mas foi impotente perante o vendaval laranja que continua em marcha.
Outro (dos derrotados), foi discreto por via do misterioso apagão que se operou sobre a sua identidade local nos últimos anos. É o CDS, que (imagine-se!) já geriu os destinos da Câmara durante cinco mandatos pós-liberdade, e se afunda numa postura sem grande chama nem ambição - campanha de sede fechada - e numa presença cada vez mais arqueológica. Saldo para Manuel Ruão: zero Juntas de freguesia, uns míseros 8,69% de votos para a Câmara e a natural perda de um membro na Assembleia Municipal.
O outro, PS de seu nome, conduzido por um atarantado Artur Penedos, especializou-se durante a campanha em sessões de tiros nos pés. O fantasma de Sócrates, a intrigante ausência de programa até ao último dia de campanha e a fuga ao debate público sobre a educação são exemplo insuspeito de uma campanha suicida, que usou a arma (teoricamente) anti-socrateana (perdoem-me o termo) do “bota-abaixismo” em vez de apresentar um verdadeiro fórum de ideias que se constituísse como alternativa. Violência e arrogância por arrogância, que lá fiquem os mesmos, que conhecem os cantos à casa e se protegem atrás do terrível chavão da “obra feita” (pudera! Os outros não tiveram oportunidade de lá estar para a fazer). Síntese: por muito que um povo estivesse preparado para a mudança, que não estava, não teriam sido convincentes os sinais do PS.
E assim foi: vitória de Celso Ferreira e do PSD em toda a linha. Começou pela competência do uso dos meios (nas redes sociais e no website, por exemplo, foi assombrosa quando comparada com o desleixo do PS) e acabou com a arrogância da facilidade com que ganha nas urnas paredenses. E até houve um balde de água fria chamado Rebordosa, e três pedras no sapato chamadas Beire, Besteiros e Madalena) mas nada que impedisse os milhares de laranjinhas saírem às ruas para festejar mais um massacre eleitoral. Eu sei que sim, o PSD cresceu e todos tropeçaram. Mas… por isso mesmo, aquelas estavam a festejar o quê? A crescente tentação e reforço de tiques autoritários em personalidades que já nos mostraram, em tantos e tantos episódios, a sua tendência para o autismo político? O aprofundamento de um ciclo laranja sem fim à vista? A demissão democrática de um município da tarefa de vigiar quem nos governa?
Em Paredes, há mais fanáticos pelo PSD do que pelo FCP. E quando a política se transforma num irracional e vazio jogo de forças do ego, meros exercícios de um orgulho clubístico, arrasta-nos a todos para um poço sem fundo. Perante este cenário, não há ninguém que em seu pleno juízo se atreva a entrar na discussão. A discussão pura e simplesmente não existe.
É dessa mudança de postura que gostaria de falar, não me faltassem as forças. Ainda conseguimos ver a luz, não nos enterremos mais, por favor.
a liberdade esta a passar por aqui... http://www.barcelos-popular.pt/?zona=ntc&tema=5&lng=pt&id=2307
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