Monday, October 11, 2010

Manifesto Anti-Rocha



Basta pum basta!!!

Uma região que se deixa enfeitar pela pena de um Rocha é uma região que nunca o foi. É um coro d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a região!

Morra o Rocha, morra! Pim!

Uma região com um Rocha a cavalo é um burro impotente!

Uma região com um Rocha ao leme é uma canoa em seco!

O Rocha é um masturbador!

O Rocha é meio masturbador!

O Rocha saberá gramática, saberá sintaxe, saberá teologia, saberá fazer tartes pra frades, saberá tudo menos dirigir jornais que é a única coisa que ele faz!

O Rocha pesca tanto de literatura que até faz metáforas com o mastro do presidente!

O Rocha é um habilidoso!

O Rocha veste-se de mulher!

O Rocha usa cuecas de renda!

O Rocha condena mas frequenta os bordéis!

O Rocha é Rocha!

O Rocha é Francisco e é Coelho!

Morra o Rocha, morra! Pim!

O Rocha fez um Verdadeiro Olhar que tanto o podia ser como o Boletim partidário como o pasquim pastoral ou o Borda D’Água dos batateiros ou o arquivo de corridas de pombos ou o almanaque com inquietações de tansos!

E o Rocha teve claque! E o Rocha teve palmas! E o Rocha agradeceu!

O Rocha é um seminarista abortado!

Não é preciso ir pró Parque José Guilherme pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta publicar como o Rocha! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Rocha!
Morra o Rocha, morra! Pim!

O Rocha nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

O Rocha é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso rezar o terço!

O Rocha é uma crónica deprimente dele-próprio!

O Rocha em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.

O Rocha nu é uma mulher!

O Rocha cheira mal dos pés!

Morra o Rocha, morra! Pim!

O Rocha é o papagaio do Patriarcado do Porto!

Se o Rocha é do Vale do Sousa eu quero ser do Alentejo!

O Rocha é a vergonha da intelectualidade da região!

O Rocha é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não core quando diz admirar o Rocha!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a roupa!

E quem tenha dó do Rocha!

E ainda há quem duvide que o Rocha não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é
inteligente, nem decente, nem zero!

Vocês não sabem o que é o jornal do Rocha? Eu vou-lhes contar:

A princípio, por anúncios, notícias e outras preparações com as quais nada temos que ver, pensei tratar-se de uma publicação com origens jornalísticas, daquele pseudo conceito da diversidade de opiniões balizado por um Estado laico que muitos ilustres senhores desta terra não descansam enquanto não estragam para partidos políticos vestirem o casaco de penas e escarrarem banalidades de campanha.

Quando abri o jornal também não fui capaz de distinguir porque as páginas eram bem desenhadas e fiquei adormecido numa notícia sobre uma empresária que teve alguns problemas no Dubai e só depois de fechar o jornal é que descobri que ele era do Nosso Senhor porque o Bispo do Porto disse que era Ele quem mandava ali!

Leio o vómito do Rocha sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, sem grande esforço, reconheço-lhe um tom e uma falácia argumentativa digna de um milhafre do Vaticano. Mais uma página para o padre da companhia, outra para o político acólito do padre, outras tantas vazias que ignoram vozes e criam temas tabu. Pouco depois o bispo do Porto é que me disse que o Verdadeiro Olhar é o olhar dele e da ideia que ele tem do que seja deus.

O jornal inteiro atira a primeira baliza para o lixo, remetendo-se à “Doutrina Social da Igreja Católica”, uma peça de teatro em três actos encenada pela Opus Dei e pelas escravas da Maternidade e Vida, um anti-jornal.

A única consolação que os leitores decentes têm é a certeza de que atrás das cortinas assinadas por fervorosos moralistas se escondem perversos costumes, cheliques e exageros sexuais.

Continue o senhor Rocha a publicar assim que há-de ganhar muito com o Alcufurado e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives de Amarante, e uma exposição das maquetes pró seu monumento erecto por subscrição nacional do "Expresso" a favor dos acidentados da recta de Sobrosa, e o Jardim da Cidade mudado em Jardim Dr. Francisco Coelho Rocha, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta "Francisco Coelho Rocha" e pasta Rocha prós dentes, e graxa Rocha prás botas e Niveína Rocha, e pílulas abortivas Rocha, e autoclismos Rocha e Rocha, Rocha, Rocha, Rocha... E limonadas Rocha- Magnésia.

E fique sabendo o Rocha que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Rocha que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.
Morra o Rocha, morra! Pim!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Morra o Rocha, morra! Pim!



Humor com sentido, para o director de um jornal que assume sentido de humor. Que não me leve a mal o folião que também brinca ao Carnaval. Para o bem e para o mal, o texto não encerra nada de pessoal.

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